ASPECTOS HISTÓRICOS DO MUNICÍPIO

Inserido no coração do chamado “ NORTE VELHO, o Município de Barra do Jacaré, tem em sua remota história iniciada no de 1881, quando se estabeleceu na região o Senhor José Pedro Lopes e Família, procedentes do Estado de Minas Gerais. Barra do Jacaré devido ao topônimo de origem geográfica em referência ao Rio Jacaré, que deságua no Rio das Cinza, onde forma uma Barra, mais o município já teve outras denominações como de Fazenda Dourado e Água do Barreiro. Em 1904 havia muitos embates políticos e pessoais pela disputa de terras entre posseiros e latifundiários pois havia uma abundância de terras devolutas, sendo então designado o Coronel Joaquim Batista, notável figura pública da época para resolver as questões de pendência territoriais de uma área que abrangia os municípios de Jacarezinho e Itambaracá, denominada esta na época de Jaborandi, passando pela região de Barra do Jacaré, denominado na época de Fazenda Dourado. Os resultados obtidos pelo trabalho do Coronel não foram satisfatórios. Somente no ano de 1922 é que a situação chegou a uma solução satisfatória, quando finalmente os direitos de posse de terras dos Colonos foram reconhecidas e suas documentações regularizadas. A partir de 1936 o pequeno povoado firmou-se construindo-se uma capela em terreno doado por Jacinto Cândido Lopes, filho do pioneiro José Pedro Lopes. Em 1951 através da Lei Estadual nº. 790 de 14/11/1951, o povoado foi elevado a categoria de Distrito Administrativo em território do município de Jacarezinho. Em 1964 a Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, através do Projeto de Lei nº. 397/1992 de autoria do Deputado Estadual Miguel Dinizo, (conhecido por Dr. Miguel e ex-Prefeito Municipal de Cambará), aprovou em 16 de janeiro de 1963, a criação do Município de Barra do Jacaré, desmembrado do município de Jacarezinho, mantendo-se as mesmas divisas do antes denominado Distrito Administrativo de Barra do Jacaré.

No ano seguinte, no dia 24 de janeiro de 1964, o Governador do Estado do Paraná, Ney Braga sancionou a Lei Estadual nº. 4.810, de 24 de janeiro de 1964, criando o Município de Barra do Jacaré e instalado naquele mesmo ano, no dia 19 de dezembro de 1964, passando a pertencer à Comarca de Jacarezinho até 1991, quando então passou a pertencer à Comarca de Andirá.

No dia 6 de dezembro de 1964, inicia as primeiras eleições municipais de Barra do Jacaré.

 

Famílias que fazem parte da história

As famílias que fazem parte da história de Barra do Jacaré são:

Família Lopes: José Pedro Lopes casado com Maria Cândido Lopes e os filhos: Jacinto Cândido Lopes, José Cândido Lopes (conhecido por Zequinha), Antônio Cândido Lopes e Bernardo Cândido Lopes. 

Jacinto Cândido Lopes teve cinco filhos: João Cândido Lopes, José Cândido Lopes (Zé Jacinto), Francisco Cândido Lopes (Chico Jacinto), Joaquim Cândido Lopes (Joaquim Jacinto) e Maria Francisca de Souza. Jacinto Cândido Lopes ficou viúvo e casou-se novamente. Deste segundo casamento nasceram mais dois filhos: Conceição e Luiza. Sua segunda esposa e seu filho João Cândido Lopes, que era casado com Rosa e pai de vários filhos, acabaram fugindo juntos, abandonando suas famílias. 

Jacinto Cândido Lopes foi o único herdeiro da família Lopes que preservou seus cinqüenta alqueires recebidos de herança e após seu falecimento, as terras foram divididas entre os cinco filhos.

José Cândido Lopes (Zequinha Barra), casado com Ana Calixto, teve seis filhos: José, Nica, Maria, Laura, Joaquim e Francisca. Zequinha Barra também trocou suas terras por uma loja de secos e molhados na cidade de Cambará e como não tinha experiência no negócio, perdeu tudo em pouco tempo.

Antônio Cândido Lopes (Antônio Barra), casado com Maria Barra, gerou dois filhos, José Cândido Lopes (Zé Barra) e Joaquim Cândido Lopes (Joaquim Barra). Antônio Barra, aos poucos se desfez de suas terras, ficando sem nada.

Bernardo Cândido Lopes teve suas terras invadidas por grileiros  e jagunços  que queimaram o seu rancho, e para não morrer, acabou abandonando a propriedade e perdendo tudo. 

 

Família Calixto: Bernardo Ferreira (sertanejo) casado e pai de Antônio Calixto, Pedro Ferreira (Calixtinho), Antônio Ferreira e tio de José Calixto Neto (Zé Nego) e Benedito Calixto. 

Antônio Calixto, casado com Maria Leite (Marizinha) teve doze filhos: José Antônio Calixto (Neném Calixto), Joaquim Calixto, Luiz, Sebastião, Arlindo, Messias Calixto, Sebastião, Ana, Benedita, Izalina, Luiza e Conceição. Calixtinho casou-se com dona Benedita e também teve muitos filhos.

 

Família Cunha: João Martins da Cunha, casado com Francisca Pereira de Godoy e seus onze filhos: José Cunha, João, Antônio, Júlio, Ana, Laura, Zeta, Benedita, Amélia, Marciana e Adelaide. As irmãs Ana e Laura casaram com dois irmãos: João Mariano e Avelino Mariano; Zeta e Benedita casaram com Joaquim Neves e João Neves; Amélia e Mariana casaram com Neném e Luiz Calixto e a filha Adelaide casou-se com Urbano Pedro de Camargo. 

A família Cunha dispersou-se do município só permanecendo Antônio Martins da Cunha, juntamente com sua mãe Francisca. Antônio Cunha casou e ficou viúvo, mas com o passar dos anos casou com Maria Francisca de Souza, filha de Jacinto Barra. O casal gerou oito filhos: Benedito, José, Joaquim, Antônio, Maria, Lazara, Ana e Francisca. Antônio Cunha dedicou a maior parte de sua vida na pregação do evangelho, sendo catequista por muitos anos, além de ter sido também inspetor de polícia, delegado, prefeito e vice-prefeito, vindo a falecer em 1983. A filha Ana Martins da Cunha tornou-se irmã de caridade (Irmã Cristina). 

 

Família Aguiar:  Maria Vicente das Neves e Manoel de Freitas Aguiar. Manoel que morava em Funxal - Ilha da Madeira em Portugal, veio para o Brasil clandestinamente em um navio de imigrantes. Chegando em São Paulo, grandes fazendeiros o esperavam e em carroções puxados por bois, viajaram vários dias para chegar até a cidade de Pederneiras. Manoel encontrou-se com Maria Vicente das Neves, vinda também de Portugal aos 16 anos de idade, na cidade vizinha de Porto Ferreira. Casaram em Porto Ferreira e logo que tiveram os dois primeiros filhos, Manoel e Cândido, voltaram a passeio para a terra natal (Portugal) de navio. A viagem durou três meses. De volta para o Brasil escolheram o Estado do Paraná para se fixar. Nessa época, Barra do Jacaré era apenas um vilarejo composto totalmente de mata virgem. Logo se juntaram as outras famílias e conseguiram adquirir as primeiras terras. Nesse período, o casal teve 13 filhos (um deles faleceu ainda criança): Manoel, Cândido, Adelino, Santo, Clotilde, João, Luiz, José, Carolina, Luiza, Augusto e Antonio. A família ainda hoje revive e conserva parte das terras e o lugar onde moraram pela primeira vez conhecido como Sítio Laços de Família, denominação esta por manterem vivos os laços quem unem a família às gerações.   

 

Família Santos: João dos Santos casado com Maria Stancari e o filho Antônio dos Santos Neto.  Antônio dos Santos Neto casou-se com Benedita Semensato e teve 11 filhos: Darci, Irene, Marina, Nilson, Maria Aparecida (falecida), Neide, Cleide, Mauro, Antonio, Zeneide, Santina, Davi e Nilcéia. 

 

Família Branco: José de Freitas Branco, casado com Carmem e os filhos Rosa, Margarida, Carmem, Lourdes, Manoel, José, Antônio e Augusto.

 

Família Leite: João Leite, esposa Bárbara e os filhos João Leite, Sebastião e Pedro.

 

Família Lima: Lúcio de Lima, esposa Vergilia e os filhos Osmendia, Delfo, Gumercindo, Maria e Cézar.

 

Família Gaioto: Furtunato Gaiotto e Laurinda dos Santos Gaiotto chegaram em Barra no ano de 1930 e tiveram cinco filhos, José, Raul, Terezinha, Nair e Ana.

 

Família Emídio: João Emídio e esposa Ana.

 

Família Palmeira: Vicente Palmeira e esposa Verônica com os filhos José, Dorvalino, Pedro, Rosa, Ourides, Dorcelina, Terezinha e Ica.

 

Família Pinotti: Pedro Pinotti (chegou da Itália de navio aos oito anos), casou-se com Corola Paris e tiveram cinco filhos, Ada, Orlando, Angelina, Luiz e Aparecida.

 

Família Schiavi: Luiz Schiavi e Lúcia de Popi com os filhos Santinho, Alcídio, Orlando, Luiz, Maria, Noemia e Arcídia.

 

Família Bonfate: José Bonfate e esposa Luiza Giroto (vieram de Portugal de navio) e tiveram os filhos Maria, Mabre, Angelina, Vicentina, Sebastiana, Luzia, Joaquim, Antônio, Natal e Pedro.

 

Família Silva: Leodoro Antônio da Silva (primeiro barbeiro na cidade), esposa Felisbina Maria de Jesus (proprietária da primeira venda cuja construção era de palmitos) com os filhos José Antônio da Silva e Maria de Jesus Silva.

 

Família Marcelino de Souza: Ana Marcelino (viúva) e os filhos Lázaro, Francisco, Antônio, Benedita, Sebastião, Aparecido e Pedra.

 

Família Costa: Artur Rosa da Costa (veio da Espanha e faleceu em Campinas, estado de São Paulo) e esposa Benedita Vidal. Em 1953 chegaram em Barra do Jacaré e tiveram os filhos Benedita Rosa da Costa, Armindo, Antônia, Alicia, Olga Erci e José Rosa.

 

Família Cabral: João Cabral com a esposa Joana Cristina Cabral e os filhos Cleuza, Cristina Cabral, Noé, Antônio e Rodilon.

 

Família Rosa: João Rosa e sua esposa Cândida Rosa (vieram de Minas Gerais em 1932) e tiveram cinco filhos Benedito, Verônica, Olímpio, Adolfo e Cecília.

 

Família Pinheiro: Albino Pinheiro e sua esposa Emília Donegá Pinheiro. Ele veio de Portugal, Ilha da Madeira, aos 18 anos e em 1954 fundou o Cartório de Registro Civil em Barra do Jacaré. A filha Thereza Pinheiro da Costa casou-se com Pedro Gonçalves da Costa e tiveram 15 filhos.

 

Família Dutra: Domingos Dutra e esposa Alzira Leaquina Dutra com os filhos José, Joaquim, João, Lázaro, Vitor, Ana, Maria, Laura e Dolores. Em 1943 comprou o primeiro salão de barbeiro e a primeira venda e sorveteria. Anos depois, abriu uma padaria que funcionou por nove anos.

 

Famílias no Bairro Coqueralzinho

Scoparo, Demarchi, Lobo, Gimenes, Peres, Vilar, Antunes, Bandeira, Pepi, Balbino, Mantoan, Silveira, Galdino, Toledo, Brito, Evangelista, Francisquinho, Orsini, Falasca, Cuia e Tironi.

 

Famílias no Bairro Água do Ligeiro

 Calixto, Graciano, Zanoni, Agrela, Borgato, Furlan, Romualdo, Cândi, Messias, Mázzaro, Paduim, Carvalho, Rego e Oliveira.

 

Famílias da Colônia Japonesa

Ekeda, Koretombo, Kossaka, Suzuki, Nagita, Iga, Nishiko, Nishao, Myao, Ito, Shiguinha, Narata, Enoe e Yoshiro.

 

As mulheres tiveram um papel muito importante na vida da comunidade, entre elas se destacaram: Francisca Pereira de Godoy (conhecida como: Chica Cunha – Vó Chica), Nestina da Silva e Eliza Semensato que eram as parteiras na época do povoado, pois não existia hospital nem médicos na região.

 

Também fazem parte da história do município as fazendas:

• São Jorge, Guaxupé, Nazareth e suas famílias Spadacim, Scoparo, Secco, Taconi, Rego, Morelato, Contini;

• Fazenda Seis Anos Gran Mongol, hoje Fazenda Aurora;

• Fazenda Coqueral do Comandante Junqueira

• Fazenda Santa Olímpia;

• Fazenda Santa Rita de Cássia, da família Alcântara;

• Fazenda Santa Tereza da família Aguiar;

• Fazenda Santa Clara de Rui Mendes Pimentel;

• Fazenda Paciência;

• Fazenda São Marcos de Marcos Ribeiro dos Santos;

• Fazenda Balsinha da família Zanatta;

• Fazenda Promissão de Valdomiro Ferreira de Rezende.